Você paga hospedagem todo mês por um site institucional de cinco páginas que quase nunca muda. Ele cai de vez em quando, abre devagar no celular e, a cada três meses, aparece um plugin desatualizado pedindo atenção. Para um blog com publicação semanal isso faz sentido. Para um site que é basicamente um cartão de visitas, é cobrança por uma complexidade que você não usa.

O Netlify resolve exatamente esse caso: site institucional, landing page, portfólio, documentação — tudo que é conteúdo que não muda a cada minuto. Publica em minutos, serve de um CDN global, renova HTTPS sozinho e, para sites pequenos, costuma caber no plano gratuito. Este artigo mostra como publicar site no Netlify passo a passo, com os exemplos que a gente mais usa — e também o que o Netlify não resolve, que é a parte que ninguém conta.

O que é o Netlify, sem jargão

Hospedagem tradicional é um computador ligado esperando visita. Quando alguém abre seu site, esse computador monta a página na hora — busca no banco de dados, roda o PHP, devolve o HTML. É o modelo do WordPress.

O Netlify faz o contrário: ele monta as páginas uma vez, quando você publica, e guarda o resultado pronto em servidores espalhados pelo mundo. Quando alguém abre o site, a página já está pronta no servidor mais próximo dele. Não há banco de dados para consultar nem PHP para rodar — e, por isso, não há banco para cair nem PHP para ficar desatualizado.

Isso tem uma consequência direta de segurança: não existe painel de administração exposto na internet, nem plugin com vulnerabilidade. A superfície de ataque de um site estático é quase zero. Se você já passou por um site WordPress hackeado, entende o valor disso.

Exemplo 1: publicar um site em cinco minutos

O caminho mais rápido não exige nem Git. Se você já tem os arquivos do site numa pasta (index.html, style.css, imagens):

  1. Crie uma conta em app.netlify.com
  2. Vá em Sites e arraste a pasta inteira para a área indicada
  3. Pronto. O site está no ar num endereço tipo nome-aleatorio-123.netlify.app

Funciona, mas é o modo manual: toda alteração exige arrastar a pasta de novo. Para site que vai receber manutenção, conecte ao Git.

O jeito que escala: deploy pelo GitHub

Com o repositório conectado, cada git push publica o site automaticamente.

  1. No Netlify: Add new site → Import an existing project
  2. Autorize o GitHub e escolha o repositório
  3. Configure o build (se o site for HTML puro, deixe o comando vazio e aponte o diretório de publicação para a raiz)

Para um site HTML estático, a configuração é essa:

Build command:     (deixe em branco)
Publish directory: .

Para um site gerado por Hugo, Astro, Eleventy ou similar, o build muda:

# Hugo
Build command:     hugo
Publish directory: public

# Astro / Eleventy / Vite
Build command:     npm run build
Publish directory: dist

Você também pode versionar isso num arquivo netlify.toml na raiz do projeto, que é o que recomendamos — assim a configuração vive no repositório, não só no painel:

[build]
  command = "npm run build"
  publish = "dist"

[[redirects]]
  from = "/contato"
  to = "/fale-conosco"
  status = 301

Esse bloco de redirects resolve um problema clássico de migração: manter as URLs antigas funcionando para não perder posicionamento no Google.

Exemplo 2: domínio próprio com HTTPS automático

Ninguém divulga nome-aleatorio-123.netlify.app. Para apontar o seu domínio:

  1. No Netlify: Domain management → Add a domain
  2. Digite o domínio (suaempresa.com.br)
  3. O Netlify mostra os registros DNS que você precisa criar

No painel do seu DNS (Cloudflare, registro.br, GoDaddy), crie:

Tipo    Nome    Valor
CNAME   www     seu-site.netlify.app
A       @       75.2.60.5

O certificado HTTPS é emitido e renovado automaticamente pelo Let’s Encrypt — você não faz nada e nunca mais vê aviso de “certificado expirado”. Isso sozinho já elimina uma categoria inteira de chamado técnico.

A propagação do DNS leva de alguns minutos a uma hora. O certificado sai depois que o DNS propagar.

Exemplo 3: formulário de contato sem backend

Esse é o recurso que mais surpreende quem vem do WordPress. Site estático, por definição, não processa formulário — não tem servidor rodando para receber o envio. O Netlify resolve com um atributo no HTML:

<form name="contato" method="POST" data-netlify="true">
  <input type="text" name="nome" placeholder="Seu nome" required />
  <input type="email" name="email" placeholder="Seu e-mail" required />
  <textarea name="mensagem" placeholder="Como podemos ajudar?"></textarea>
  <button type="submit">Enviar</button>
</form>

É só isso. O data-netlify="true" faz o Netlify detectar o formulário durante o deploy e passar a receber os envios. Eles aparecem no painel, e você pode configurar notificação por e-mail a cada envio.

Para barrar robô de spam sem CAPTCHA, acrescente um campo-armadilha invisível:

<form name="contato" method="POST" data-netlify="true" netlify-honeypot="bot-field">
  <p hidden><input name="bot-field" /></p>
  <!-- resto dos campos -->
</form>

Humano não enxerga o campo e deixa vazio. Robô preenche tudo que encontra — e o envio é descartado.

Exemplo 4: ver a alteração antes de ela ir ao ar

Esse recurso é o que mais economiza dor de cabeça em site de cliente. Quando alguém abre um Pull Request no GitHub, o Netlify publica aquela versão num endereço temporário e comenta o link no próprio PR.

Na prática: o cliente pede para mudar o texto da home. Você faz a alteração num branch, abre o PR, e manda o link do preview para ele aprovar. Ele vê a mudança funcionando, no navegador dele, sem que o site de produção tenha sido tocado. Aprovou, você faz o merge e vai ao ar.

E se algo der errado depois de publicar, o histórico de deploys guarda todas as versões anteriores. Voltar é um clique em Publish deploy na versão antiga — sem restaurar backup, sem downtime.

Quanto custa

O Netlify trabalha com um plano gratuito e planos pagos por equipe, num modelo de créditos consumidos conforme o uso: banda, deploys de produção, requisições e tempo de execução de funções. Como os valores mudam de tempos em tempos, confira direto na página oficial de preços — é a única fonte que não envelhece.

O que importa para dimensionar o seu caso: um site institucional com páginas leves e algumas centenas de visitas por dia costuma caber no plano gratuito. Um site com vídeos pesados ou tráfego alto, não.

Também entram no plano gratuito: domínio próprio com SSL, deploy previews ilimitados, funções serverless e CDN global.

Quando o Netlify NÃO é a resposta

Essa é a parte que a maioria dos tutoriais pula. O Netlify é excelente numa faixa específica de problema e ruim fora dela.

  • Blog que o cliente atualiza sozinho. Sem um CMS acoplado, publicar exige mexer em arquivo e dar push. Para quem não é técnico, isso é pior que o WordPress. Existem CMSs headless que resolvem, mas aí o projeto deixou de ser simples.
  • Área de login, painel de cliente, sistema interno. Dá para fazer com funções serverless, mas se a aplicação tem estado e banco de dados, você está escolhendo a ferramenta errada.
  • E-commerce com estoque e checkout próprio. Loja pede plataforma de loja. Shopify, Nuvemshop ou WooCommerce resolvem isso há anos.
  • Quem já tem WordPress funcionando bem. Migrar dá trabalho e tem risco de SEO. Se o site atual está rápido, seguro e atualizado, migrar por migrar não tem retorno.

A regra prática: se o conteúdo muda com frequência e quem muda não é técnico, fique no WordPress bem cuidado. Se o conteúdo é estável e o que incomoda é custo, lentidão e manutenção, o Netlify provavelmente resolve.

Erros comuns

  • Esquecer o Publish directory. O deploy roda sem erro e o site sobe em branco ou com 404. Na maioria dos geradores o diretório é dist ou public, nunca a raiz.
  • Migrar sem mapear as URLs antigas. Se as URLs mudam e você não cria os redirects 301, perde o posicionamento que levou anos para construir. Levante as URLs indexadas antes de migrar e redirecione cada uma.
  • Testar o formulário no ambiente local. O Netlify Forms só funciona depois do deploy, porque a detecção acontece na publicação. Testar localmente e achar que está quebrado é passagem obrigatória.
  • Deixar o domínio sem o registro A da raiz. Configurar só o www faz suaempresa.com.br sem o www não resolver. Configure os dois e escolha qual é o principal.
  • Commitar chave de API no repositório. Site estático tem todo o código visível no navegador. Qualquer credencial no front-end é pública. Segredo vai em variável de ambiente, usada dentro de uma função serverless.

Como testar se ficou tudo certo

  • PageSpeed Insights — mede o desempenho real e os Core Web Vitals, que afetam posicionamento no Google
  • SSL Labs — confirma que o certificado está íntegro e bem configurado
  • Teste de Resultados Enriquecidos — valida os dados estruturados das páginas
  • No painel do Netlify, a aba Deploys mostra o log de cada publicação — é o primeiro lugar para olhar quando algo não subiu

Perguntas frequentes

Dá para hospedar WordPress no Netlify? Não. O WordPress precisa de PHP e banco de dados rodando no servidor, e o Netlify serve arquivos prontos. O que existe é usar o WordPress apenas como painel de conteúdo (headless) e gerar o site estático a partir dele — mas é um projeto bem diferente de uma migração simples.

Meu site vai perder posicionamento no Google se eu migrar? Não precisa perder, desde que todas as URLs antigas sejam redirecionadas com 301 para as novas e o conteúdo seja preservado. A queda acontece quando se migra sem mapear URL. Como o Netlify costuma deixar o site mais rápido, o efeito de médio prazo tende a ser positivo.

Preciso saber programar? Para arrastar uma pasta e publicar, não. Para conectar ao GitHub, configurar build e manter o site, sim — ou alguém que saiba. A operação depois de pronto é simples; montar é que pede mão técnica.

E se eu estourar o limite do plano gratuito? O limite é rígido: não há cobrança surpresa, o serviço é que para até o ciclo seguinte. Para site de empresa que não pode sair do ar, o plano pago elimina esse risco.

Netlify, Vercel e Cloudflare Pages: qual escolher? Os três resolvem o mesmo problema básico e todos têm plano gratuito. A Vercel é mais integrada ao Next.js, o Cloudflare Pages tem banda mais generosa, e o Netlify costuma ser o mais direto para quem está começando — principalmente por causa do Forms, que evita backend. Para site institucional, qualquer um serve.

Quem cuida disso depois? Essa é a pergunta certa. Site estático reduz muito a manutenção, mas não zera: domínio renova, DNS muda, formulário para de chegar, build quebra quando uma dependência atualiza. Se não há ninguém técnico na empresa, vale ter um responsável definido — é exatamente o tipo de coisa que cuidamos em contrato mensal.